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Para que serve o terceiro pino da tomada? Entenda o aterramento e sua importância

Você já encostou em uma geladeira, máquina de lavar, computador ou outro equipamento e sentiu aquele pequeno "choquinho" ou formigamento?

Muita gente considera isso normal.

Não é.

Um choque ou formigamento ao tocar na parte metálica de um equipamento pode indicar uma situação que precisa ser investigada. Pode existir uma falha no próprio aparelho, problema na instalação elétrica, ausência do condutor de proteção ou outra condição anormal.

E é justamente aqui que começamos a entender a importância daquele pino que fica no meio de muitos plugues:

o terceiro pino.

Ele não está ali por acaso.

Nos equipamentos que utilizam essa medida de proteção, o terceiro pino conecta as partes metálicas acessíveis ao condutor de proteção da instalação, o PE.

Neste artigo, você vai entender para que serve o terceiro pino da tomada, qual é a função do aterramento elétrico, por que um aparelho pode dar choque, qual é a diferença entre neutro e terra e como o DR participa da proteção contra choques elétricos.


Para que serve o terceiro pino da tomada?

Em um circuito residencial, dois contatos da tomada são utilizados para alimentar o equipamento.

Dependendo do sistema elétrico, podemos ter:

fase + neutro ou fase + fase.

O terceiro contato possui outra função. Ele é destinado à proteção.

Nos equipamentos que utilizam essa medida de segurança, o terceiro pino do plugue conecta as partes metálicas que precisam ser protegidas ao condutor de proteção, identificado pela sigla PE — Protective Earth.

Em condições normais de funcionamento, o PE não é utilizado para alimentar o equipamento. Sua função está relacionada à segurança elétrica.

Tomada de três pinos — para que serve cada contato: fase, neutro e terra
Os dois contatos ativos alimentam o equipamento. O terceiro contato é destinado ao condutor de proteção (PE).
Mestre da Fazer Elétrica apontando
Dica do Mestre

Ter uma tomada com três furos não significa que existe aterramento.

O contato de proteção precisa estar realmente conectado ao PE da instalação.


O que é aterramento elétrico?

Quando falamos em aterramento elétrico, muita gente imagina apenas uma haste metálica fincada no solo.

Mas o sistema de proteção de uma instalação é muito mais amplo. Ele pode envolver:

O objetivo é criar condições adequadas para reduzir o risco de choque elétrico e permitir que as medidas de proteção previstas para a instalação atuem corretamente quando ocorre uma falha.

Por isso, aterramento não significa simplesmente "colocar um fio na terra". Ele faz parte de um sistema de proteção.


Por que uma máquina de lavar, geladeira ou outro aparelho pode dar choque?

Vamos usar uma máquina de lavar como exemplo.

Dentro do equipamento existem motores, cabos, conexões e diversos componentes elétricos.

Imagine que ocorra uma falha de isolação e um condutor energizado entre em contato com a estrutura metálica da máquina.

A carcaça, que normalmente não deveria apresentar uma tensão perigosa, pode ficar energizada.

Agora imagine uma pessoa tocando nessa máquina.

Dependendo das condições da instalação, do contato da pessoa com o equipamento e do ambiente, o corpo humano pode fazer parte do percurso da corrente elétrica. É aí que surge o risco de choque.

Em locais úmidos, como determinadas áreas de serviço, cozinhas e áreas externas, a situação merece atenção ainda maior.

Falha interna sem condutor de proteção — risco de choque elétrico ao tocar o equipamento
Na presença de uma falha, uma parte metálica acessível pode ficar sob tensão. Dependendo das condições de contato, o corpo humano pode fazer parte do percurso da corrente.

"Mas estou de chinelo. Então estou protegido?"

Não conte com isso.

Calçados, pisos e condições ambientais podem alterar a resistência elétrica do percurso, mas um calçado comum não deve ser considerado uma medida de proteção contra choque elétrico.

Umidade, sujeira, desgaste, material do calçado e condições do piso podem modificar completamente a situação.

A proteção deve estar no equipamento e na instalação elétrica — não na esperança de que um chinelo impeça o choque.


O que muda quando existe o condutor de proteção?

Agora considere o mesmo equipamento com sua proteção corretamente conectada.

Internamente, as partes metálicas que necessitam dessa proteção são conectadas ao PE. Esse condutor segue pelo cabo de alimentação até o terceiro pino do plugue.

Quando o plugue é conectado a uma tomada corretamente instalada, o terceiro pino faz contato com o PE da instalação.

Assim, quando ocorre uma falha entre uma parte viva e a carcaça, existe um caminho de proteção previsto pelo sistema elétrico.

Esse caminho participa das medidas destinadas a reduzir situações perigosas e permitir a atuação das proteções de acordo com a concepção da instalação.

O ponto fundamental é: o corpo da pessoa não deve ser utilizado como caminho da corrente de falta.

Com o condutor de proteção PE conectado — a proteção funciona corretamente
O PE é conectado internamente à carcaça e segue pelo cabo de alimentação até o terceiro pino do plugue.

O aterramento "puxa" a eletricidade para a terra?

Essa explicação é bastante popular, mas simplifica demais o funcionamento de uma instalação elétrica.

Não devemos imaginar a terra como um grande "ralo" onde simplesmente despejamos eletricidade.

Em uma condição de falta existe um circuito elétrico, e o comportamento da corrente depende do esquema de aterramento, das impedâncias envolvidas e das medidas de proteção utilizadas.

Por isso, uma instalação segura não pode ser resumida a: equipamento → fio terra → haste.

A proteção envolve a coordenação entre PE, aterramento, equipotencialização e dispositivos de proteção adequados.

Instalar simplesmente uma haste no terreno não significa que toda a instalação esteja automaticamente aterrada e protegida.


Por que alguns aparelhos têm dois pinos e outros têm três?

Se o terceiro pino é tão importante, por que um carregador de celular normalmente possui apenas dois?

Porque nem todos os equipamentos utilizam a mesma medida de proteção.

Equipamentos de Classe I, quando possuem partes metálicas acessíveis que necessitam dessa proteção, utilizam conexão ao condutor PE. É comum encontrarmos plugues de três pinos em equipamentos como:

Já equipamentos de Classe II são construídos com dupla isolação ou isolação reforçada e não dependem do condutor de proteção da mesma maneira. Por isso, muitos utilizam apenas dois pinos.

Portanto: ter dois pinos não significa necessariamente que o equipamento seja inseguro. O importante é respeitar a forma de proteção prevista em seu projeto.


Por que nunca devemos cortar o terceiro pino?

Essa cena ainda é comum.

A pessoa compra um equipamento com plugue de três pinos, chega em casa e percebe que a tomada é antiga ou incompatível. Então pega um alicate e corta o terceiro pino.

O plugue passa a encaixar. O problema parece resolvido.

Mas não está.

Quando o equipamento depende da conexão ao PE como parte de sua proteção, retirar o terceiro pino elimina essa conexão.

A solução correta não é modificar o equipamento eliminando sua proteção. É verificar por que a instalação não está preparada para recebê-lo e realizar a adequação necessária.

Nunca corte o terceiro pino — comparação entre plugue errado sem terceiro pino e plugue correto com terceiro pino
Se o equipamento possui terceiro pino como parte de sua proteção, ele deve permanecer intacto e conectado a uma tomada adequada.
Mestre da Fazer Elétrica apontando
Dica do Mestre

Se o fabricante colocou três pinos no equipamento, não transforme o plugue em dois.

Corrija a instalação, não a proteção do aparelho.


Tomada de três pinos significa que existe aterramento?

Não necessariamente.

É possível substituir uma tomada antiga por uma tomada 2P+T moderna e deixar o contato de proteção sem conexão.

Visualmente, parece que a instalação foi modernizada. Mas o terceiro contato pode estar simplesmente desconectado.

Nesse caso, quando um equipamento de três pinos é conectado, seu pino de proteção não cumpre a função esperada.

Portanto: tomada de três pinos não é sinônimo de tomada aterrada.

Para saber se existe PE e se o sistema está corretamente executado, é necessário verificar a instalação.


Qual é a diferença entre neutro e terra?

Neutro e terra não são a mesma coisa. Essa diferença é fundamental.

O neutro (N) faz parte do circuito de alimentação e, em condições normais, pode conduzir corrente durante o funcionamento dos equipamentos.

O condutor de proteção (PE) possui função de segurança e não deve ser utilizado como substituto do neutro.

Eles podem possuir relações específicas em determinados pontos do sistema elétrico, conforme o esquema de aterramento adotado, mas isso não autoriza ligações improvisadas entre neutro e PE nas tomadas.

Posso fazer uma ponte entre neutro e terra na tomada?

Não.

Fazer uma ponte entre o contato de neutro e o contato de proteção da tomada não transforma uma instalação sem PE em uma instalação corretamente aterrada.

Além de contrariar a correta concepção do sistema, uma ligação improvisada pode criar condições perigosas e comprometer as medidas de proteção.

Se a tomada não possui PE, a solução é avaliar e adequar a instalação. Improvisação não substitui aterramento.

Terra não é neutro — diferenças entre o condutor neutro e o condutor de proteção PE
Neutro (N) e proteção (PE) possuem funções diferentes. Não faça ponte entre neutro e terra na tomada.

Qual é a função do DR?

O Dispositivo Diferencial Residual (DR) é outra importante medida de proteção contra choques elétricos.

Mas existe uma diferença fundamental: DR e aterramento não são a mesma coisa.

O DR monitora as correntes que circulam pelos condutores ativos do circuito.

De maneira simplificada, ele compara a corrente que segue para a carga com a corrente que retorna.

Quando parte dessa corrente percorre um caminho diferente, surge uma corrente diferencial.

Se esse valor ultrapassar o limite de atuação do dispositivo, o DR desliga o circuito.

Nos locais e circuitos em que a proteção adicional por DR é exigida, normalmente são utilizados dispositivos de alta sensibilidade, como os de corrente diferencial-residual nominal de 30 mA, conforme os critérios aplicáveis à instalação.

O DR precisa do fio terra para funcionar?

O princípio de detecção do DR não depende da existência do condutor PE.

O dispositivo compara as correntes que circulam pelos condutores ativos que passam por ele.

Uma corrente que saia do percurso esperado pode, portanto, produzir um desequilíbrio detectável pelo DR mesmo em uma situação na qual não exista PE naquele equipamento.

Mas isso não significa que o DR substitua o aterramento ou o condutor de proteção. São medidas diferentes.

O PE integra o sistema de proteção contra faltas. O DR detecta corrente diferencial e realiza o desligamento quando são atingidas suas condições de atuação.

A instalação deve possuir as medidas de proteção adequadas para cada situação.

Aterramento e DR — funções diferentes e complementares no sistema de proteção
PE e DR possuem funções diferentes. O PE integra o sistema de proteção; o DR monitora a corrente diferencial e pode desligar o circuito.

O disjuntor comum protege contra choque?

Essa é outra confusão frequente.

O disjuntor termomagnético possui como função principal proteger os condutores e a instalação contra sobrecorrentes, como sobrecarga e curto-circuito.

Ele não deve ser confundido com um DR.

Uma corrente perigosa atravessando o corpo humano pode ser muito menor do que a corrente necessária para provocar a atuação rápida de um disjuntor termomagnético convencional.

Portanto: ter disjuntor não significa estar protegido contra todas as situações de choque elétrico. Cada dispositivo possui sua função.


E o DPS? Qual é a diferença?

O DPS — Dispositivo de Proteção contra Surtos possui outra finalidade.

Ele é utilizado para limitar sobretensões transitórias que podem surgir, por exemplo, em determinadas ocorrências relacionadas à rede elétrica ou descargas atmosféricas.

Uma forma simples de diferenciar:

Disjuntor → proteção contra sobrecorrentes
DR → proteção relacionada à corrente diferencial residual
DPS → proteção contra surtos
PE / aterramento → integra o sistema de proteção e equipotencialização

Nenhum deles deve ser tratado simplesmente como substituto dos demais.


Para onde vai o terceiro pino dentro da instalação?

Agora podemos completar o caminho que começou no plugue do equipamento.

O terceiro pino faz contato com o terminal de proteção da tomada. Esse terminal deve estar conectado ao condutor PE.

O PE segue pela instalação até o barramento de proteção correspondente no quadro.

A partir daí, ele integra o sistema de aterramento e equipotencialização da edificação, de acordo com a concepção da instalação.

Existe uma ideia importante que vale guardar: o terceiro pino não termina na tomada.

Ele é apenas o ponto visível de conexão de um sistema de proteção muito maior.

O caminho do PE na residência — da tomada ao sistema de aterramento e equipotencialização
Tomada 2P+T → condutor PE → barramento de proteção → sistema de aterramento e equipotencialização da edificação.

Minha geladeira ou máquina de lavar está dando choque. Isso é normal?

Não.

Um pequeno formigamento pode parecer inofensivo, mas merece investigação. Isso pode acontecer em:

As causas podem incluir: falha de isolação, defeito no equipamento, ausência do PE, interrupção do condutor de proteção, conexões incorretas ou problemas na instalação elétrica.

A solução não é aceitar: "Essa máquina sempre deu choque." É necessário descobrir a causa.


Um pequeno choque elétrico pode ser perigoso?

Sim. A gravidade de um choque depende de vários fatores, entre eles:

Por isso, não existe uma regra segura do tipo: "Se foi só um choquinho, não tem problema."

Se uma parte metálica que normalmente não deveria apresentar uma tensão perigosa está provocando choque, a situação deve ser investigada.


Como saber se minha casa tem aterramento?

Não basta olhar para as tomadas.

Uma avaliação adequada pode envolver a verificação de:

Algumas dessas verificações exigem instrumentos específicos e conhecimento técnico.

Principalmente em instalações antigas, reformas ou locais onde equipamentos apresentam choque, a instalação deve ser avaliada por profissional qualificado.


5 erros comuns relacionados ao aterramento

1. Cortar o terceiro pino
Pode eliminar a conexão de proteção prevista para o equipamento.

2. Instalar uma tomada 2P+T sem conectar o PE
A tomada parece correta, mas o terceiro contato fica sem função.

3. Fazer ponte entre neutro e terra na tomada
Não substitui um sistema de proteção corretamente executado e pode criar uma situação perigosa.

4. Achar normal um equipamento dar choque
Carcaça provocando choque ou formigamento deve ser investigada.

5. Achar que instalar uma haste resolve tudo
O aterramento faz parte de um sistema que envolve condutores, conexões, equipotencialização e medidas de proteção adequadas.


O terceiro pino é apenas a parte visível de um sistema muito maior

Depois de acompanhar todo esse caminho, fica mais fácil entender por que aquele pequeno pino no meio do plugue é tão importante.

Ele não é um pino "a mais".

Nos equipamentos que utilizam essa medida de proteção, ele é o ponto de conexão entre o equipamento e o condutor de proteção da instalação elétrica.

Esse caminho começa no equipamento, passa pelo plugue e pela tomada, continua pelo PE e pelo quadro e integra o sistema de proteção da edificação.

Por isso, quando você olhar novamente para um plugue de três pinos, lembre-se: o terceiro pino não está ali para dificultar o encaixe.

Ele está ali por segurança.


Não ignore estes sinais

Uma instalação merece atenção quando existem situações como:

Cada um desses sintomas pode ter uma causa diferente.

O correto é diagnosticar, não improvisar.


Conclusão

Uma instalação elétrica segura não depende de um único componente.

Ela resulta de um conjunto de medidas corretamente projetadas, instaladas e mantidas: condutor de proteção, aterramento, equipotencialização, DR, disjuntores, DPS e demais medidas aplicáveis à instalação.

O terceiro pino é uma pequena parte desse conjunto, mas sua função não deve ser desprezada.

Antes de cortar um pino, improvisar uma ligação ou simplesmente aceitar que determinado equipamento "sempre deu um choquinho", procure a causa do problema.

Na elétrica, proteção não é detalhe. Faz parte da instalação.

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